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Ó o gás! Após reajuste, preço do botijão em Salvador varia até R$ 17

Diante de tanta pressão no orçamento, é a vez do gás surgir como algoz das economias nos lares brasileiros, que lutam para fechar o mês no azul, sem o estouro nas contas. E para tornar essa missão possível, diante de um aumento 6,9% no GLP anunciado pela Petrobras na semana passada, é importante seguir a dica do famoso funk: olhar o gás, ou melhor, o preço dele, para que a contenção de custos não se dissipe no ar.
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E para te ajudar a condensar os gastos, o CORREIO percorreu diversos pontos de venda de botijão de gás para comparar preços – a diferença chega a R$ 17 – e ouviu sugestões de quem adota estratégias bem sucedidas para economizar no uso.

É o caso da diarista Dilma Alcântara, 45 anos, que adotou alguns hábitos para fazer o produto durar um pouquinho mais. “Costumo cozinhar em grandes quantidades, para durar pelo menos três dias. Aí eu congelo e na hora de esquentar, o tempo é bem menor, costuma dar certo”, indica. Outra opção, segundo a moradora do Cabula que mora com três filhos e um neto, é evitar comidas que utilizem o forno. “Essas coisas eu nem faço. Se for para comer um bolo, a gente compra pronto. Evita ao máximo usar o forno porque consome demais”, aconselha a diarista, que costuma comprar o item por R$ 75 e consegue fazê-lo render durante 15 dias. Mas ela poderia economizar ainda mais: nas andanças do CORREIO, foi possível encontrar gás no bairro onde Dilma mora R$ 10 mais barato.

“Essas coisas (que precisam usar o forno) eu nem faço. Se for para comer um bolo, a gente compra pronto. Evita ao máximo usar o forno porque consome demais.”(Dilma Alcântara, diarista)

Levantamento
O local mais barato encontrado pela reportagem foi no bairro da Santa Cruz, onde o botijão é vendido por R$ 55; o mais caro, por sua vez, foi achado no Engenho Velho da Federação, por R$ 72.

Já o último levantamento da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgado semanalmente, apontou uma diferença de R$ 23, no dia 1º de agosto, antes do reajuste da Petrobras. O bairro de Paripe tinha o preço mais barato em Salvador: R$ 45; já o mais alto, R$ 68, estava em São Marcos. Foram pesquisados 39 pontos de venda em diversas áreas da cidade.

De acordo com a Petrobras, o reajuste no preço final depende das revendedoras e distribuidoras. Se o reajuste for repassado integralmente ao consumidor, o valor pode subir, em média, em 2,2%– cerca de R$ 1,29 por botijão.

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O diretor do Sindicato dos Revendedores de Gás da Bahia (Sinrevgas), Edgard Cardoso, afirma que o reajuste foi imediato e começou a vigorar no último sábado. “O reajuste foi automótico. Foi anunciado e, no dia 5, começamos a cobrar o preço mais caro”, explica. Segundo ele, o reajuste foi repassado integralmente para o consumidor, que já reclamou do aumento.

No entanto, segundo Cardoso, o cliente entende que a mudança independe da revenda. “O consumidor está mais consciente de que o aumento não vem da revendedora, vem da Petrobras, mas reclama”, diz.

Dono de revenda, Edson Oliveira explica que os preços já vêm tabelados da distribuidora (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

Feijoada incompleta?
Na casa da cartomante Aldith Rocha, 73, por exemplo, há 30 anos, os almoços de domingo são garantia de um panelão de feijoada. O hábito, porém, diminui consideravelmente o tempo de vida do botijão na residência. Embora more com apenas dois netos, a casa está sempre cheia. É que os filhos e netos costumam aparecer para almoçar durante a semana e, claro, no domingão. “Eu não abro mão da feijoada ou da dobradinha. Como a família é grande, a panela é grande”, conta.

Segundo ela, os dois quilos de feijoada podem levar até quatro horas, ao todo, para cozinhar – dependendo do tipo de feijão. Independente do dia, segundo Aldith, a comida de casa é sempre feita em quantidade, já esperando que apareça alguém para filar a boia. “Infelizmente, não consigo economizar, sempre faço muita comida. Além disso, tem as comidas de forno, que consomem bastante gás”, explica ela, que só consegue ‘segurar’ um botijão por até oito dias.

Com família grande, Aldith Rocha gasta um botijão de gás por semana (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

Mas tem conversa
No bolso da cartomante, que mora na Liberdade, os custos com o gás chegam a cerca de R$ 180 todo mês. “Isso porque, aqui, como compro muitos por mês, me vendem mais barato. É como se fosse uma fidelidade”, comemora ela, que paga R$ 45,00 e sempre solicita a entrega por telefone em uma distribuidora do bairro.

Uma medida adotada por dona Aldith foi a compra de botijões vazios. “Eu tenho três botijões. Assim, quando tenho um dinheirinho sobrando, compro e deixo guardado, porque não corro o risco de ficar sem ou pedir às pressas”, completa.

Tabela
O CORREIO esteve em duas distribuidoras da Liberdade e encontrou preços que variam entre R$ 54,90 e R$ 60. Dono da Libergás, que compra da fornecedora Brasilgás, Edson Oliveira Santos explicou à reportagem que os valores são tabelados. “A ANP deixa os fornecedores livres para colocarem os preços mas nós, empresários, temos uma tabela a cumprir. Eles fiscalizam e podem até me multar, caso eu faça alterações no valor”, conta.

Célia Maria Silva prefere ir aos mercados para comprar o botijão de gás pela facilidade do pagamento (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

“Aqui na Libergás, por exemplo, eu tive que negociar com o gerente deles [Brasilgás]. Porque antes eu vendia aqui a R$ 68, uns 70 botijões por dia, mas a gente começou a perder muito as vendas para a concorrência, então eles foram obrigados a baixar o preço que repassavam para mim, o que também me obriga a baixar o meu”, completa ele.

Atualmente, segundo Edson, a distribuidora vende em média 40 botijões, a R$ 50,99 cada – com adição de R$ 8 em taxas de entrega para moradores e comércios da Liberdade. Já a compra do botijão vazio sai por R$ 100 (vazio) e R$ 150 (completo).

Também na Liberdade, a distribuidora Canaã, que negocia o produto com a Nacional Gás, comercializa o botijão por R$ 54,90, para quem paga no dinheiro, e R$ 60 para quem opta em pagar no cartão. O gerente da loja, Italo Souza, explicou que eles não cobram taxa pela entrega. “O preço é o mesmo tanto para comércio, quanto para residências. Em geral, a gente vende de 50 a 60 botijões por dia”, afirma.

Estabelecimentos
Não é somente quem usa o botijão de gás em casa que sente os impactos do reajuste. Grandes estabelecimentos como restaurantes e bares também têm que lidar com o aumento. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel Bahia), Luiz Henrique Amaral, os empresários procuram alternativas para conseguir equilibrar o orçamento com base nesse reajuste, já que o gás não é um componente que pode ser substituído.

“É diferente de um cardápio, onde tem uma possibilidade de alteração de matéria-prima. É que nem energia, um custo direto, não há possibilidade de troca”, explica Amaral.

Ainda de acordo com ele, os reajustes constantes geram uma pressão na inflação e, em algum momento, acaba impactando no preço que chega ao consumidor. “Algumas vezes se consegue, outras não. Isso vai gerando uma pressão de inflação muito grande, que acaba impactando no preço final, porque vai se acumulando com outras taxas, como o próprio aumento do combustível, que altera o frete dos nossos insumos e impacta diretamente no custo”, ilustra.

Onde é melhor
Moradora do Alto das Pombas, na Federação, a aposentada Célia Maria Silva, 62, prefere não comprar o gás nos pequenos distribuidores da vizinhança. “Olha, aqui no bairro a gente encontra de R$ 63, se for buscar na distribuidora. Para entregar, cobram mais caro. Como não tenho condições, às vezes, compro muito mais em mercado grande, porque tenho a opção de colocar no cartão e dividir o valor”, relata.

De acordo com Célia, o aumento pesou no bolso da família. “Está tudo muito difícil, caro. A gente se vira de um lado, do outro, para sobreviver. Daqui a pouco tá custando R$ 100”, comenta ela, que mora com outras quatro pessoas.

O pensamento da dona de casa sobre o aumento do produto reflete, de acordo com o entregador de gás Eduardo Santos da Silva, 27, a opinião de boa parte de seus clientes. “É o que mais escuto. As pessoas reclamando do aumento, tentando um descontinho. Mas não tem jeito. A gente não tem autonomia para diminuir o preço; por outro lado, eles têm razão, mas todo mundo tem que cozinhar, né”, pondera.

“É o que mais escuto. As pessoas reclamando do aumento, tentando um descontinho. Mas não tem jeito. A gente não tem autonomia para diminuir o preço; por outro lado, eles têm razão, mas todo mundo tem que cozinhar, né.” (Eduardo Silva, entregador de gás)

Regras 
A ANP não regula, nem fiscaliza os preços praticados pelo mercado, como determina a lei nº 9.478/1997, que prevê “o regime de liberdade de preços em toda a cadeia de produção, distribuição e revenda de combustíveis e derivados de petróleo”.

A partir do levantamento semanal, a ANP afirma que consegue acompanhar os preços praticados e identificar caso aconteçam infrações, como cartéis ou preços “predatórios”.

Apesar de a variação constatada pelo CORREIO parecer grande, o Procon, por meio de sua assessoria, informou que “a lei não considera a variação como manifestamente excessiva devido a liberdade do mercado”.

Fonte: Correio24Horas

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