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EUA suspendem importação de carne ‘in natura’ do Brasil

Os Estados Unidos suspenderam nesta quinta-feira todas as importações de carne bovina “in natura” do Brasil devido a recorrentes preocupações com a segurança sanitária dos produtos, informou em comunicado o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

A suspensão deve continuar até que o Ministério da Agricultura do Brasil tome “medidas corretivas” que o departamento considere satisfatórias, informou o órgão.

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“Embora o comércio internacional seja uma parte importante do que o USDA faz, e o Brasil seja um dos nossos parceiros há tempos, minha primeira prioridade é proteger os consumidores americanos”, disse o secretário da Agricultura, Sonny Perdue.

“O produto que já está na água não vai poder entrar”, afirmou o analista de pecuária dos EUA da Steiner Consulting Group, referindo-se às cargas que já estão a caminho dos Estados Unidos.

O USDA informou também que, desde março, quando foi deflagrada a operação Carne Fraca no Brasil, o Serviço de Inspeção e Segurança de Alimentos dos Estados Unidos (FSIS) recusou 11% dos produtos de carne fresca brasileira que tentaram entrar no país. Com a operação, o FSIS passou a inspecionar toda a carne nacional que chegava em solo americano.

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“Esse valor é substancialmente superior à taxa de rejeição de 1% das remessas do resto do mundo. Desde a implementação do aumento da inspeção, o FSIS recusou a entrada para 106 lotes de produtos bovinos brasileiros devido a problemas de saúde pública, condições sanitárias e problemas de saúde animal”, afirmou o USDA.

Segundo o departamento, o governo brasileiro se comprometeu a resolver essas questões, “inclusive pela autossuspensão de cinco instalações de transporte de carne para os Estados Unidos”.

O mercado de carne bovina brasileira nos Estados Unidos havia sido fechado em 2003 e só foi reaberto em agosto do ano passado.

O Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo, ainda vende pequenos volumes para os EUA, na comparação com o total que embarca, mas a suspensão norte-americana é representativa, e pode levantar preocupações, porque os critérios do país costumam ser observados por outros importadores.

De janeiro a maio, as exportações de carne bovina “in natura” do Brasil aos EUA somaram 4,68 mil toneladas, o equivalente a US$ 18,9 milhões, de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

A título de comparação, os embarques à China, um dos maiores importadores, somaram, no mesmo período, 52,8 mil toneladas, enquanto as vendas para Hong Kong atingiram 42,9 mil toneladas.

 

Autossuspensão

Na semana passada, o Ministério da Agricultura brasileiro suspendeu as exportações de cinco frigoríficos para os Estados Unidos, depois de as autoridades sanitárias americanas identificarem irregularidades provocadas pela reação à vacina de febre aftosa.

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De acordo com técnicos do Ministério da Agricultura, o mecanismo de “autossuspensão” permitiria que as exportações fossem retomadas de forma mais acelerada. Em nota, eles disseram que “trabalham para prestar todos os esclarecimentos e correções no sentido de normalizar a situação”.

O Ministério da Agricultura brasileiro ainda não se manifestou sobre a nova suspensão. O Palácio do Planalto informou que não vai se manifestar sobre o assunto.

A Abiec, associação que representa os exportadores no país, não tinha um comentário imediato.

A brasileira JBS, maior produtora de carnes do mundo, negou-se a comentar a suspensão dos EUA, onde tem grande parte de suas operações.

Carne Fraca

Os EUA foram um dos poucos países que não interromperam a compra de carne do Brasil depois de a Operação Carne Fraca, lançada em março, identificar problemas sanitários em várias plantas exportadoras.

A primeira fase visou a atuação de Daniel Gonçalves Filho, ex-superintendente da Agricultura no Paraná, considerado o responsável por um esquema de propina em troca de vantagens indevidas a frigoríficos de todos os portes.

Autorizada pelo juiz federal Marcos Josegrei da Silva, a Carne Fraca bloqueou cerca de R$ 1 bilhão, entre contas e bens de investigados. Nos dias que se seguiram, diversos países ameaçaram restringir a compra de carne brasileira, o que levou o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), e o presidente Michel Temer (PMDB) a fazerem eventos e viagens para convencer governos estrangeiros a continuarem acreditando na qualidade dos produtos.

Fonte: VEJA.COM, com Reuters

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