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‘Ele sabe que tem uma irmãzinha’, diz mãe de Isabella Nardoni sobre caçula

isabella

Nesta quinta 29, completam-se dez anos do assassinato de Isabella Nardoni. A menina de então 5 anos foi vítima de um homicídio bárbaro: agredida e arremessada com vida pela janela do 6º andar de um apartamento do Edifício London, na Zona Norte de São Paulo. Os autores do crime foram seu pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá. A criança apanhou com uma chave tetra, foi asfixiada e, quando estava inconsciente, atirada com vida de uma altura de 20 metros. Seus algozes foram condenados. Ele, a trinta anos, dois meses e vinte dias; ela, a 26 anos e oito meses. Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella, reconstruiu uma nova família e, uma década depois, está abalada na véspera do aniversário da morte: “Para ser mais sincera, achei que seria menos difícil. Passei por muitas barras e, mesmo assim, estou bem tocada. A minha filha faria 16 anos no mês que vem, em abril”.

Parentes, amigos, religião e uma nova família. Ana Carolina teve ajuda de diversas formas para não entrar em depressão. “Eu tinha uma força dentro de mim falando para não desistir da vida, de mim mesma.” Carol, como é chamada pelos amigos, fez terapia – três vezes por semana – e encontrou no espiritismo um conforto. “A morte da minha menina, daquela forma tão brutal, não foi em vão.” Neste momento, a mãe de Isabella está lendo o livro A Morte na Visão do Espiritismo, de Alexandre Caldini. “As pessoas não são iguais. Não posso comparar a minha dor com a de ninguém, mas, por pior que pareça, sempre soube que a vida vale a pena.”

Em 2010, Carol conheceu o administrador Vinícius Francomano. O primeiro beijo aconteceu em uma festa no interior de São Paulo. Semanas depois de engatar o romance, foram separados geograficamente: Carol tinha um intercâmbio de seis meses nos Estados Unidos. Ele, apaixonado, ligou para ela todos os dias – até que o telefone passou a não resolver mais a questão da saudade e ele decidiu ir ao seu encontro na Califórnia.

Ana Carolina Oliveira e Francomano

© Arquivo pessoal Ana Carolina Oliveira e Francomano

Os dois se casaram em abril de 2014 na Catedral Anglicana de São Paulo, do reverendo Aldo Quintão. O casal entrou ao som da música gospel Faz um Milagre em Mim (‘Como Zaqueu / Eu quero subir / O mais alto que eu puder / Só para te ver’). Não houve um convidado que não tenha chorado e lembrado de Isabella. O sonho de ambos era ter um filho. Dois meses após deixar de tomar anticoncepcional, Ana Carolina fez um teste de farmácia dentro do banheiro de um shopping center. Deu positivo. Naquela noite, ligou pedindo ao marido que não fosse à partida de futebol que havia programado. Ele pensou se tratar de uma DR. Os dois caíram no choro quando a mulher contou a novidade.

Miguel tem hoje um 1 ano e nove meses. É cabeludo, falante e parecidíssimo com o pai. Já a boquinha carnuda e redonda lembra bastante Isabella. “Eu falo que ele tem uma irmã, mas, por ser pequeno, não entende ainda”, diz a mãe. Quando os parentes perguntam ao menino qual o time do coração, o menino responde: “porco”. Isso por influência do pai, palmeirense roxo, que não vê a hora de levá-lo ao estádio ver uma partida do time.

Ana Carolina Oliveira e Francomano 2

© Arquivo pessoal Ana Carolina Oliveira e Francomano 2

No começo de 2018, Roberto Podval, advogado do casal Nardoni, entrou com um pedido de redução de pena no Supremo Tribunal Federal. Ele alega que a sentença do juiz Maurício Fossem, do Tribunal de Justiça de São Paulo, foi “exagerada e desproporcional”, tendo sido influenciada pelo clamor popular. Ana Carolina rebate. “O crime fala por si só, eles pagam pelo  que cometeram – e não pela reação das pessoas.” Alexandre Nardoni cumpre pena na Penitenciária Doutor José Augusto Salgado, em Tremembé, interior de São Paulo, Anna Carolina Jatobá está em regime semiaberto no presídio feminino da mesma cidade. Ela já tem o direito de sair da cadeia em datas como Dia das Crianças e Páscoa. O casal segue o relacionamento e troca cartas de amor. Alexandre terá direito a deixar a cadeia nas datas especiais a partir de 2019. De forma pragmática, Ana Carolina diz sentir-se confiante na Justiça. “Muitos pais têm seus filhos assassinados e, por motivos variados, não conseguem ver os criminosos julgados e condenados pelo crime que cometeram.”

Para a quinta 29, aniversário de dez anos de morte de Isabella, Ana Carolina não planejou nenhuma missa ou ritual diferente do que faz todos os dias desde que sua filha morreu. “Ela está em todas as minhas orações.”

Fonte: Veja.com

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