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Com fim de ocupação, tráfico intensifica guerra no Engenho Velho da Federação

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Na Ladeira da Paz, no Engenho Velho da Federação, o que está instalado é o medo. Com a saída das tropas da Secretaria da Segurança Pública (SSP) do bairro, no último domingo (3), a ladeira, que fica na localidade da Lajinha, vem sendo palco de novas ações e embates entre as facções.

Desde segunda-feira (4), integrantes do Comando da Paz (CP), que atuam no Forno, colocaram suas iniciais em casas, estabelecimentos comerciais e até em carros da Ladeira da Paz, área que atualmente está sob o domínio do Bonde do Maluco (BDM). Moradores relatam casos de tiroteios intensos, às vezes mais de uma vez durante o dia.

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Na noite desta quarta (6), homens ligados ao CP, armados com fuzis, pistolas e metralhadoras, deixaram um morto e dois feridos durante mais uma tentativa de invasão à Lajinha. Eles usaram a Ladeira da Paz para ter acesso à Rua Santo Amaro, na mesma localidade, onde as três pessoas foram baleadas.

“Isso aqui (Engenho Velho) é terra de ninguém. Foi só a polícia desocupar que eles voltaram a agir. Eles são tão ousados, que espalharam um áudio no WhatsApp dizendo que a polícia não ia ficar aqui no bairro o tempo todo e que todos os moradores se preparassem para a guerra. E é o que está acontecendo”, declarou um morador.

Casas e carros marcados
Na Ladeira da Paz, os rebocos nas paredes não são sinais de uma obra de construção. São marcas da violência. “Essa guerra precisa acabar. Ne terça-feira, um grupo chegou aqui atirando. Todos gritando ‘CP Chegou’. Eles estavam com armas pesadas, como fuzis”, disse outro morador. Segundo ele, os tiroteios são diários. “Tem dias que eles se enfrentam mais de uma vez. Ficamos presos em nossas próprias casas com medo de balas perdidas”, ilustrou.

Um idoso que mora na ladeira há mais de 20 anos disse que na segunda-feira levou um susto quando percebeu que o portão da casa dele estava pichado com a sigla CP. “Inicialmente, achei que foi uma brincadeira de mau gosto, mas não foi. Vi que outras casas estavam assim também”, declarou.

O idoso contou que o susto ainda foi bem maior quando chegou no largo, que funciona como estacionamento para alguns moradores.

“Meu carro estava também pichado com a sigla CP. E o meu não foi o único. Foram três no total. Um outro carro foi riscado com a sigla”, disse o morador.

Por conta da insegurança, alguns imóveis estão sem moradores. Segundo os relatos, só na ladeira, oito casas estão vazias. “Ninguém quer alugar um imóvel aqui. As pessoas chegam até entrar nas casas, mas quando descobrem a fama daqui, desistem na hora. Além do risco de morte, estamos perdendo dinheiro por causa dessa violência”, disse uma dona de casa, proprietária de dois imóveis e um ponto comercial que estão fechados há pouco mais de um mês.

Mortes
Na noite de quarta (6), um adolescente morreu e duas pessoas ficaram feridas durante mais um ataque do CP na Lajinha. De acordo com a polícia, dois carros – um Volkswagen Fox vermelho (OKI-4831) e um Renault Sandero prata (PJQ-8499), ambos com restrição de roubo – chegaram na rua com cinco pessoas em cada veículo e começaram a atirar para cima gritando “CP, CP, CP”, em referência à facção criminosa.

No ataque, o adolescente Guilherme Godinho Batista, 15 anos, foi baleado no tórax. Ele foi levado para o Hospital Geral do Estado (HGE) com vida, mas morreu assim que deu entrada na unidade de saúde. Para a polícia, a vítima seria o alvo do ataque.

“Era um rapaz envolvido. Eles foram atrás dele e, na hora, outras duas pessoas foram atingidas”, comentou uma moradora, sem se identificar.

A professora Claudilene das Neves Marinho, 42, e uma adolescente de 13 anos também foram baleadas. As duas relataram para a polícia que estavam na porta de suas respectivas casas quando ouviram os tiros e acabaram sendo atingidas. A professora e a adolescente receberam alta e já estão em casa. Procuradas pelo CORREIO, as duas não quiseram falar com a reportagem, temendo represálias.

Em nota, a Polícia Militar informou que “na noite de ontem (06) por volta das 19h30 uma guarnição da 41ª CIPM foi informada sobre uma troca de tiros no bairro do Engenho Velho da Federação, chegando no local estavam também guarnições da Operação Gêmeos, Apolo e Rondesp. Durante a troca de tiros um homem e duas mulheres foram atingidos e socorridos para o Hospital Geral do Estado”.

O CORREIO entrou em contato com a assessoria da Polícia Civil, para saber mais detalhes sobre o andamento da investigação, mas ainda não há posicionamento sobre o assunto.

Veículos abandonados
Depois do ataque, os dois carros foram abandonados pelos atiradores na Ladeira da Paz. Na manhã desta quinta (7), policiais militares da 41ª Companhia Independente (CIPM/Federação) encontraram os veículos, que posteriormente foram retirados do local por um guincho.

“Após o ataque, eles vieram para o lado de cá, abandonaram os carros e desceram. O final da ladeira dá no Forno”, disse um dos policiais que estava no local.

A SSP informou que as informações preliminares indicam que houve um confronto entre traficantes e que um deles teria morrido, mas não há mais detalhes.

Na segunda-feira (4) outra pessoa foi baleada também na localidade da Lajinha. Um adolescente de 17 anos foi ferido com um tiro na mão após se desentender com um traficante.

Ocupações e divisões
As forças da segurança pública já ocuparam o Engenho Velho da Federação duas vezes no intervalo de menos de um mês. Durante a permanência de polícia na segunda ocupação, que terminou no domingo (3), nove pessoas foram presas e um homem morreu durante um confronto logo no primeiro dia da ocupação.

Um dos principais objetivos das ocupações era enfraquecer a ação do BDM e do CP nas áreas dominadas no Engenho Velho da Federação. O CP controla, atualmente, as localidades do Forno e da Baixa da Égua, enquanto o BDM atua na Lajinha.

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Segundo fontes da Polícia Civil ouvidas pelo CORREIO, o comando do CP na região está com Kléber Nóbrega Pereira, o Kekeu, e José Henrique de Souza Conceição, o Rick. Eles já foram autuados por tráfico de drogas e homicídios.

Kekeu e Rick estão mais diretamente ligados na administração das bocas de fumo da Baixa da Égua. Para não deixar o Forno sem comando, Kekeu e Rick colocaram como gerente da localidade Reinaldo Souza Santos Filho, o Fofão, promovido devido à relação antiga de amizade com os “patrões”. Ele também já foi preso por tráfico de drogas.

A localidade da Lajinha, tomada pelo BDM, tem como líder um presidiário. Leonardo cumpre pena por tráfico de drogas e homicídio no Complexo Penitenciário da Mata Escura. Ele desertou da facção Caveira para juntar-se ao BDM.

Fonte: Correio24Horas

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